terça-feira, 29 de março de 2011

Performance - Definição

Forma de arte que combina elementos do teatro, das artes visuais e da música. Nesse sentido, a performance liga-se ao happening (os dois termos aparecem em diversas ocasiões como sinônimos), sendo que neste o espectador participa da cena proposta pelo artista, enquanto na performance, de modo geral, não há participação do público. A performance deve ser compreendida a partir dos desenvolvimentos da arte pop, do minimalismo e da arte conceitual, que tomam a cena artística nas décadas de 1960 e 1970. A arte contemporânea põe em cheque os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo, abrindo-se a experiências culturais díspares. Nesse contexto, instalações, happenings e performances são amplamente realizados, sinalizando um certo espírito das novas orientações da arte: as tentativas de dirigir a criação artística às coisas do mundo, à natureza e à realidade urbana. Cada vez mais as obras articulam diferentes modalidades de arte - dança, música, pintura, teatro, escultura, literatura etc. - desafiando as classificações habituais e colocando em questão a própria definição de arte. As relações entre arte e vida cotidiana, assim como o rompimento das barreiras entre arte e não-arte constituem preocupações centrais para a performance (e para parte considerável das vertentes contemporâneas, por exemplo arte ambiente, arte pública, arte processual, arte conceitual, land art, etc.), o que permite flagrar sua filiação às experiências realizadas pelos surrealistas e sobretudo pelos dadaístas.
As performances conhecem inflexões distintas no interior do grupo Fluxus. As exibições organizadas por Georges Maciunas (1931-1978), entre 1961 e 1963, dão uma projeção inédita a essa nova forma de arte. Os experimentos de Nam June Paik (1932), assim como os de John Cage (1912-1992) - por exemplo, Theather Piece # 1, 1952 - que associam performance, música, vídeo e televisão, estão comprometidos com a exploração de sons e ruídos tirados do cotidiano, desenhando claramente o projeto do Fluxus de romper as barreiras entre arte/não-arte. O nome de Joseph Beuys (1921-1986) liga-se também ao grupo e à realização de performances - nome que ele recusava, preferindo o termo "ação" - que se particularizam pelas conexões que estabelecem com um universo mitológico, mágico e espiritual.
Trabalhos muito diferentes entre si, realizados entre 1960 e 1970, aparecem descritos como performances, o que chama a atenção para as dificuldades de delimitar os contornos específicos dessa modalidade de arte. Por exemplo, em contexto anglo-saxão, Gilbert & George (Gilbert Proesch, 1943, e George Passmore, 1942) conferem novo caráter às performances utilizando-se do conceito de escultura viva e da fotografia que pretende rivalizar com a pintura. Uma ênfase maior no aspecto ritualístico da performance é o objetivo das intervenções do grupo de Viena, o Actionismus, que reúne Rudolf Schwarzkogler (1941-1969), Günther Brüs (1938), Herman Nitsch (1938) e outros. Um diálogo mais decidido entre performance e a body art pode ser observado em trabalhos de Bruce Nauman (1941), Schwarzkogler e Vito Acconci (1940). As performances de Acconci são emblemáticas dessa junção: em Trappings (1971), por exemplo, o artista leva horas vestindo o seu pênis com roupas de bonecas e conversando com ele. Em Seedbed (1970), masturba-se ininterruptamente.
No Brasil, Flávio de Carvalho (1899-1973), foi um pioneiro nas performances a partir de meados dos anos de 1950 (por exemplo a relatada no livro Experiência nº 2). O Grupo Rex, criado em São Paulo por Wesley Duke Lee (1931), Nelson Leirner (1932), Carlos Fajardo (1941), José Resende (1945), Frederico Nasser (1945), entre outros, realiza uma série de happenings, por exemplo, o concebido por Wesley Duke Lee, em 1963 no João Sebastião Bar (alguns críticos apontam parentescos entre o Grupo Rex e o movimento Fluxus). A produção de Hélio Oiticica (1937-1980) dos anos de 1960 - por exemplo, os Parangolé - guardam relação com a performance por sua ênfase na execução e no "comportamento-corpo", como define o artista. Nos anos 1970, chama a atenção as propostas de Hudinilson Jr. (1957). Na década seguinte, devemos mencionar as Eletro performances, espetáculos multimídia concebidos por Guto Lacaz (1948).

O QUE É PERFORMANCE?

Comecemos pelo começo: a etimologia da palavra, que se refere a um ato pelo qual se dá forma a alguma coisa ou se revela a forma de alguma coisa. esta ideia de dar/revelar uma forma é essencial para os estudos estéticos, afinal, analisamos obras de arte, que são manifestações formais (entre muitas outras coisas).

No dicionário, encontramos a palavra performance como sinônimo de “desempenho” ou “atuação”, ampliando os sentidos do termo para além do campo das artes: performance é termo utilizado nos esportes, na área de tecnologia, recursos humanos etc.

O termo performance é muito utilizado na arte contemporânea para designar vários tipos de intervenções artísticas nas quais o artista assume um papel ativo frente ao público, atuando muitas vezes como o próprio veículo de expressão de sua obra. Expressões como o happening ou a arte-performance podem servir como exemplos, embora não sejam os únicos. 

Para os estudos da palavra (canção, literatura, teatro, linguística etc.) o conceito de performance tem como importante marco teórico a obra de J. L. Austin: de forma grosseira, podemos dizer que o pensamento de Austin se baseia na noção do que ele batizou como “atos de fala” (ou speech acts) cuja principal característica é a performatividade, ou seja, em determinadas situações, “falar é fazer”. O exemplo clássico oferecido por Austin é o casamento: ao pronunciar a frase “eu aceito”, os noivos não estão apenas declarando algo, estão contraindo matrimônio. Antes de Austin, Saussure já havia chamado atenção para o fato de que a linguagem é essencialmente sonora (linguagem é pensamento-som), uma característica que guarda forte ligação com a ideia de performatividade desenvolvida por Austin. Há que se comentar ainda sobre os escritos de Walter Ong, que apontou diferenças essenciais sobre os modos de pensamento e expressão oral (em sociedades ágrafas ou pouco letradas) e escrito. Ao revelar tais diferenças, Ong também concluiu que as tecnologias da linguagem (escrita, imprensa e meios digitais) nunca apagaram as marcas da oralidade.

Outro pensador importante nos estudos de performance é Paul Zumthor que, vindo dos estudos literários, desenvolveu uma importante linha de pensamento sobre a performance a partir de suas investigações sobre a “literatura” medieval – ele utilizava a expressão entre aspas para diferenciar as manifestações poéticas da idade média (essencialmente orais e ligadas à música) da ideia contemporânea de literatura. Em vez de definir performance, Zumthor nos fala de “graus de performaticidade”, correspondendo a performance presencial (artistas e público presentes no mesmo espaço) ao mais alto grau de performaticidade. Para Zumthor, até mesmo a leitura de um texto impresso (um livro, por exemplo) é considerada performance, correspondendo à situação com grau mais baixo de performaticidade. O importante aqui é o momento da interação entre obra e público, no que as ideias de Zumthor se aproximam do pensamento de críticos ligados à chamada estética da recepção (reader-response criticism ou reception theory).

Esta noção de performance que tem como núcleo a interação obra x público e leva em consideração as diferentes gradações desta interação é extremamente útil aos estudos da palavra performatizada em suas várias modalidades (palavra falada, cantada, declamada, visualizada etc.).

Voltando à pergunta inicial, podemos dizer que não há uma resposta absoluta, apenas ideias e conceitos abertos demais para permitir uma definição bem delimitada. A reação de achar que “tudo é performance” é bastante natural e está relacionada a uma condição profundamente humana: a mudança. Tudo que diz respeito à nossa percepção de mundo pode ser considerado performance na medida em que nos relacionamos com um universo em constante transformação, e nós mesmos somos seres mutantes por excelência. As formas do mundo são formas em movimento. O mundo performa (revela suas formas) para nós, seres performadores (criamos novas formas e as revelamos de volta ao mundo).

domingo, 27 de março de 2011

CONCEITOS PARA DISCUSSÃO EM SALA DE AULA

Teoria da deriva
A teoria da deriva é um dos trabalhos de autoria do pensador situacionista Guy Debord.
A deriva é um procedimento de estudo psicogeográfico – estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. É sempre interessante construir um mapa do percurso traçado, esse mapa deve acompanhar anotações que irão indicar quais as motivações que construiu determinado traçado. É pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita... Em fim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não.
Apesar de ser inúmeros os procedimentos de deriva, ela tem um fim único, transformar o urbanismo, a arquitetura e a cidade. Construir um espaço onde todos serão agentes construtores e a cidade será um total.
Parkour
Parkour é uma atividade física difícil de categorizar. Mas uma arte ou disciplina que assemelha-se a auto-defesa nas artes marciais. De acordo com o fundador David Belle, o espírito no parkour é guiado em parte a superar todos os obstáculos em seu próprio caminho como se estivesse em uma emergência. Você deve mover de tal maneira, com quaisquer movimentos, para ajudá-lo a ganhar a maior vantagem possível de alguém ou em alguma coisa, quer seja escapando daquilo ou caçando em direção a isso. Assim, havendo um confronto hostil com alguém, as opções são conversar, lutar ou esquivar. Assim como as artes marciais são uma forma de treinamento para a luta, parkour é uma forma de treinamento para a fuga. Devido a dificuldade em categorizá-la, os praticantes frequentemente colocam-na em sua própria categoria: "Parkour é Parkour".
Uma importante característica desta disciplina é sua eficiência. Um praticante não só se move o mais rápido que puder, mas da maneira energeticamente mais econômica e o mais diretamente possível. Eficiência também envolve evitar ferimentos em curto e longo prazo, o que explica o lema não-oficial être et durer (ser e durar).
As inspirações para essa arte surgiram de várias partes, primeiramente pelo méthode naturelle (Método Natural de Educação Física) desenvolvido por Georges Hébert no século XX. Soldados Franceses no Vietnã inspirados pelo trabalho de Georges Hébert criaram o treinamento militar: parcours du combattant.
 David Belle foi iniciado no treinamento militar e méthode naturelle por seu pai, Raymond Belle — um bombeiro Francês que praticava as duas disciplinas. David Belle continuou a praticar outras atividades como artes marciais e ginástica, buscando aplicar suas habilidades adquiridas de forma prática na vida.
O filme “B13 - 13º Distrito” tem o próprio “fundador” do Parkour  -  David Belle – como protagonista. As cenas que mostram no filme, apesar de parecerem irreais, são reais, e foram gravadas pelo próprio Belle, “já que não há ninguém que faça melhor esse trabalho”
Flâneur
Um flâneur é um ser errante, um vagabundo, alguém que vagueia pela cidade sem propósito aparente, mas que está secretamente em harmonia com a sua história e numa busca velada de aventura, seja ela estética ou erótica.
Edmund White, que viveu em Paris durante dezesseis anos, vagueia agora pelas suas ruas, avenidas e cais, levando-nos a locais totalmente desconhecidos dos turistas e até de muitos parisienses. A entrada no Marais evoca a história dos Judeus em França, uma visita ao Haynes Grill relembra a presença – festiva e problemática – dos negros americanos durante século e meio. Homossexuais, artistas decadentes e até a realeza, passada e presente, são todos submetidos ao escrutínio do flâneur.
Manifestando sempre as suas opiniões, o flâneur visita livrarias e boutiques, monumentos e palácios, tagarelando e transmitindo informações sobre a história e o passado de cada sítio, olhando através das paredes brancas dos altivos edifícios para vislumbrar o secreto drama humano que se esconde por detrás de cada fachada. Pelo caminho, relembra tudo, desde os mais recentes assuntos em debate entre os legisladores franceses até às particularidades da vida de Colette.
Flanêur é uma palavra do francês que pode ser traduzida como ''Flanador'' (flanar = passear sem destino, por mera distração) e usada para se referir a homens com um certo comportamento peculiar. Esse estilo de vida foi assim chamado pelo poeta Charles Baudelaire.
Flanar é vagar pelas ruas não simplesmente caminhando, é andar observando tudo à volta.
O flanêur é um amante das ruas que repara em detalhes que para outros cidadão passam despercebidos. Ele valoriza objetos, lugares, pessoas que o observador comum já não repara, por fazerem parte de uma rotina.
O flanêur é simplesmente uma pessoa que vê o mundo com olhos diferentes da maioria da população, a sua visão é com riqueza de detalhes, e detalhes nas coisas mais simples.
Flash Mob
Em inglês é abreviação de flash mobilization, que significa mobilização rápida ou relâmpago. Trata-se de uma aglomeração instantânea de pessoas em um local público para realizar uma ação previamente organizada. Para efeitos de impacto, a dispersão geralmente é feita com a mesma instantaneidade. No Brasil, a onda de Flash Mob começou em São Paulo e não demorou muito para que se espalhasse pelo resto do país. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.

VISITA AO MUSEU DE ARTE E À CASA DO BAILE



Nestas visitas, pudemos contemplar de perto duas grandes obras de Oscar Niemeier. São projetos de rara beleza e que apresentam detalhes que servem de inspiração para todo arquiteto e, particulamente, para nós, futuros arquitetos. Nesses locais, pude perceber que, estrategicamente, o arquiteto projetou paredes quase totalmente de vidro para que a beleza da Lagoa da Pampulha fizesse parte do ambiente interno. É como se a pessoa se sentisse envolvida pela arquitetura externa, estando dentro das paredes de vidro. Suas curvas mostram a sensibilidade de um autor que se preocupa com cada peça do conjunto em particular. Dificilmente vemos ali imagens repetidas ou paisagens monótonas. Vemos placas de mármores, ladrilhos e pilares pensados, planejados e calculados individualmente. Uma obra verdadeiramente artesanal, em seu melhor sentido de arte. As rampas e escadarias foram projetadas proporcionando a quem passa por elas a sensação de estarem viajando pela arquitetura do ambiente e presenciando paisagens diversas. Na Casa do Baile, logo que chegamos, temos a impressão de estar diante de um cômodo circular único, quando na verdade foram inseridos nesse complexo outros compartimentos, com o objetivo de completar a funcionalidade do local. Como futuro arquiteto, tenho aprendido desde o início do meu curso, ao contrário do que entendia antes, que  a Arquitetura é uma ciência muito mais humana do que exata. O coração do artista é muito mais evidenciado do que eu imaginava. Estou só no início. Vou aprender muita coisa ainda.